Emily Dickinson

Farei um breve relatório em torno da vida e obra de Emily Dickinson, considerada uma das poetisas mais originais do século XIX.

Emily Dickinson nasceu em Amherst, Massachusetts, a 10 de dezembro de 1830. Veio de uma família na qual seu pai e avô eram advogados. Este, Samuel Fowler Dickinson, foi um advogado graduado em Dartmouth e aquele, Edward Dickinson, graduado em Yale. Edward também era um membro do Congresso dos Estados Unidos.

Emily nasceu, portanto, em uma família com boas condições financeiras e teve uma educação completa. Foi educada segundo o modelo de virtue, já discutido em trabalhos anteriores. Quando jovem ela era bastante expressiva, mas à medida que crescia se afastava cada vez mais da sociedade e tornou-se introspectiva. Ainda assim, dentro do contexto social no qual viveu, desfrutou da liberdade que muitas mulheres de seu tempo não conheciam.

O seu primeiro mentor, em respeito às suas poesias, foi Thomas Higginson, um crítico de poesia que trabalhava para a revista Atlantic Monthly. Dickinson mandava cartas com suas poesias no intuito de ser encorajada por ele, não para saber dele se sua poesia era boa ou não. Para tanto, educadamente ignorava seus conselhos sobre rima, métrica e correções envolvendo o uso da gramática.

O segundo “mentor” foi um reverendo chamado Charles Wadsworth. Não se sabe realmente o tipo de relação que estes tiveram, mas alguns acreditam que o afastamento dos dois pode ter sido a causa para uma crise emocional que se abateu sobre Emily em 1862. Durante essa crise, a poetisa produziu em torno de 600 poemas.

Ao contrário do que muitos pensavam, Emily Dickinson viveu uma vida intensa e apaixonada. Nem mesmo seus amigos mais próximos a conheciam profundamente. Os poemas achados após a sua morte revelaram uma pessoa extremamente complexa e de uma sensibilidade ímpar. Sua poesia era clássica na qualidade e contemporânea na técnica.

Os principais temas abordados em suas poesias foram a beleza, o amor, a natureza e a morte. Ela foi corajosamente franca e esclarecedora quando tratou da visão que tinha em torno do ser humano. Ficou conhecida por quebrar os padrões formais da época: rimas irregulares, modo criativo como usava as metáforas, ou seja, pelo estilo inovador de seus poemas. Apesar de serem curtos, os poemas contêm uma linguagem extremamente condensada e carregada de emoção.

Apesar de sua formação religiosa, questionou bastante o contexto calvinista no qual ela e a família estavam inseridas e até rejeitou os princípios de sua igreja. Admirava os trabalhos de John Keats e Elizabeth Barrett Browning, mas evitava o estilo florido e romântico da época. Evitava porque não queria fazer concessões. Quis se manter independente, livre de convenções e regras.

Outro ponto interessante em suas obras é a importância que Emily dá às palavras. Como vivia isoladamente do mundo social, era através da palavra que a poetisa estabelecia uma interação social com o mundo. A linguagem servia de abrigo para os seus pensamentos sinuosos. Isso mostra que há certa flutuação de sentimentos em suas poesias, pois podemos encontrar em seus poemas as mesmas palavras, mas com significados diferentes. Para Emily, a poesia era uma celebração do poder criativo da palavra.

Mesmo não tendo vivido à época, Emily possui algumas características de vários movimentos literários que ainda estavam por vir. Ela fez correspondência entre concepção espiritual com realidade empírica e muitos dos poemas mostram uma tradução verbal de uma visão da paisagem de New England, como os simbolistas. Usa as palavras de acordo com o seu jeito não convencional de entendê-las, sem precisar embelezá-las, como os dadaístas e surrealistas.

Em suma, Emily Dickinson foi uma poetisa que levou para os seus poemas todos os sentimentos subjetivos que faziam parte da sua vida e falou sobre todos eles de forma única. Entretanto, seus poemas só ficaram conhecidos após a sua morte, quando o seu trabalho se tornou acessível para o público pela primeira vez.

Referência bibliográfica

MCMICHAEL, George [Editor]. Concise Anthology of American Literature. 2ª edição. New York: Macmillan, 1986.
KNAPP, Bettina. Emily Dickinson. New York: Continuum, 1989. 202 pp.

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